Dinamarquesa tem dois bebês após autotransplante de ovário

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Tecido ovariano foi retirado antes de quimioterapia e preservado.
Há nove casos relatados de nascimentos após procedimento.

Ampliar FotoFoto: Flemming Holm Bergholdt / AP

Stinne e seus dois filhos, Aviaja (à esq.) e Lucca, vivem em Odense, na Dinamarca. Ela foi diagnosticada com câncer com 27 anos de idade. Mais de 6 anos depois, é a primeira mulher do mundo a ter dois filhos após técnica de preservação e reimplante de ovário (Foto: Flemming Holm Bergholdt / AP)

Uma mulher recuperou a fertilidade e deu à luz dois bebês depois de receber um transplante de tecido do próprio ovário, na primeira vez em que esse tratamento altamente complexo resulta em duas gestações.

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Claus Yding Andersen, médico dinamarquês que tratou a mulher, disse que o caso demonstra a validade do método de armazenar o tecido ovariano em termos de preservação da fertilidade, o que segundo ele deveria ser mais usado para meninas e mulheres jovens que passam por tratamentos capazes de danificar seus ovários.

"Esta é a primeira vez no mundo que uma mulher teve dois filhos de gestações separadas como resultado do transplante de tecido ovariano congelado e descongelado", disse Andersen, que relatou o caso na revista médica "Human Reproduction".

A paciente, uma dinamarquesa chamada Stinne Holm Bergholdt, teve o tecido ovariano retirado durante um tratamento contra câncer, e restituído após a cura.

  • Aspas

    As tiras ovarianas originais transplantadas continuaram a funcionar por mais de quatro anos"

Ela teve uma menina em fevereiro de 2007, após um tratamento de fertilização. Em 2008, descobriu que estava grávida naturalmente, e em setembro daquele ano gerou outra menina.

Em todo o mundo há nove casos registrados de nascimentos de bebês após a mãe receber o autotransplante de tecido ovariano previamente congelado. Três (inclusive as duas filhas de Stinne) nasceram na Dinamarca após o tratamento realizado por Andersen, professor de Fisiologia Reprodutiva Humana no Hospital Universitário de Copenhague.

  • Aspas

    A senhora Bergholdt ainda tem a capacidade de conceber e dar à luz crianças saudáveis"

Stinne foi diagnosticada com o chamado sarcoma de Ewing aos 27 anos de idade, em 2004. Antes da quimioterapia, parte do seu ovário direito foi retirada e congelada.

O tratamento funcionou, mas, como esperado, os medicamentos causaram menopausa precoce. Em 2005, seis tiras do tecido ovariano foram transplantadas para o que havia restado do seu ovário direito, que voltou a funcionar. Após uma discreta estimulação ovariana, ela engravidou pela primeira vez.

Em janeiro de 2008, ela voltou à clínica de Andersen para mais um tratamento de fertilização, mas um exame mostrou que ela já estava grávida naturalmente.

"Isso mostrou que as tiras ovarianas originais transplantadas continuaram a funcionar por mais de quatro anos, e que a senhora Bergholdt ainda tem a capacidade de conceber e dar à luz crianças saudáveis", disse Andersen.

Stinne, de 32 anos, disse que continua tendo ciclos menstruais normais, e que ela e o marido ainda não decidiram se querem ou não mais filhos.

"As meninas ainda são muito pequenas e precisam de muita atenção, mas talvez em um par de anos possamos pensar novamente nisso."

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